sábado, 26 de março de 2016
As palavras ainda mais distantes das coisas.
O ser das coisas ainda mais distante das palavras, eis um caminho para a angústia essencial da espécie.
Um ato eterno de desespero que corre em nossas veias e que torna insuportável a não possibilidade de nomeação do que quer que seja.
Cabe a indagação; Por que penso?
Na extensão do inimaginável a resposta roça nossas almas aflitas que precisam de um mínimo de ordem para estar-aqui.
Contrariamente o ser das coisas afunda nossas mentes no desprovido de si mesmo, no abandono e solidão.
O Ser e o Nada na corporificação de algo que já aconteceu em tempo algum.
A imagem de uma sombra no vazio de tudo que é escuro.
O ser das coisas ainda mais distante das palavras, eis um caminho para a angústia essencial da espécie.
Um ato eterno de desespero que corre em nossas veias e que torna insuportável a não possibilidade de nomeação do que quer que seja.
Cabe a indagação; Por que penso?
Na extensão do inimaginável a resposta roça nossas almas aflitas que precisam de um mínimo de ordem para estar-aqui.
Contrariamente o ser das coisas afunda nossas mentes no desprovido de si mesmo, no abandono e solidão.
O Ser e o Nada na corporificação de algo que já aconteceu em tempo algum.
A imagem de uma sombra no vazio de tudo que é escuro.
sábado, 2 de maio de 2015
POEMAS DESTITUÍDOS DE SI MESMOS.
1 Pisar em coisas vivas é saudável.
Pisar no substantivo laranja, no substantivo formiga ou no substantivo mais do que concreto barata.
Pisar em nomes vivos é saudável.
Pisar no substantivo lata, pisar no substantivo chão,pisar no substantivo areia.
Escutar o não dito nos aproxima do fim e é por isso igualmente saudável.
Costumo ir de encontro ao vento quando nada tenho em mim.
Costumo andar em gerúndio no verbo andar sem maiores comprometimentos com qualquer conjugação.
Andar infinitivo em ar e para além do eu ando ou eu estou andando.
Andar simplesmente andar adverbiado por aí.
2 Dois mortos/
numa rua escura/
e o silêncio/
de quem nada viu.
Basta fechar os olhos/
para reencontrar as origens/
na respiração compassada
antes do substantivo abstrato ser.
Dois mortos
sem nome algum
na rua escura/
a recobrar os sentidos/
em qualquer mente proscrita.
Dois mortos/
numa rua escura/
em ninguém viu/
no abandono dos nomes.
3 Um homem diz o que diz/
longe de si mesmo e das palavras/
ele acorda e caminha na direção contrária/
sem destino em qualquer que seja o lugar.
Ele está de malas prontas/
como se o substantivo jornada pudesse tomar sua mente de vez/
quando ele diz o que diz, longe das palavras e de si mesmo/
em algum lugar próximo à palavra escuridão.
1 Pisar em coisas vivas é saudável.
Pisar no substantivo laranja, no substantivo formiga ou no substantivo mais do que concreto barata.
Pisar em nomes vivos é saudável.
Pisar no substantivo lata, pisar no substantivo chão,pisar no substantivo areia.
Escutar o não dito nos aproxima do fim e é por isso igualmente saudável.
Costumo ir de encontro ao vento quando nada tenho em mim.
Costumo andar em gerúndio no verbo andar sem maiores comprometimentos com qualquer conjugação.
Andar infinitivo em ar e para além do eu ando ou eu estou andando.
Andar simplesmente andar adverbiado por aí.
2 Dois mortos/
numa rua escura/
e o silêncio/
de quem nada viu.
Basta fechar os olhos/
para reencontrar as origens/
na respiração compassada
antes do substantivo abstrato ser.
Dois mortos
sem nome algum
na rua escura/
a recobrar os sentidos/
em qualquer mente proscrita.
Dois mortos/
numa rua escura/
em ninguém viu/
no abandono dos nomes.
3 Um homem diz o que diz/
longe de si mesmo e das palavras/
ele acorda e caminha na direção contrária/
sem destino em qualquer que seja o lugar.
Ele está de malas prontas/
como se o substantivo jornada pudesse tomar sua mente de vez/
quando ele diz o que diz, longe das palavras e de si mesmo/
em algum lugar próximo à palavra escuridão.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
POEMAS
Um poema que atravesse paredes
que faça mal a quem quer que seja/
e que cuspa e que vomite/
Em tudo que desejo,
ou que procuro no verbo procurar/
no além da palavra insana e perversa/
filha da noite e do caos/
do vento e da chuva impiedosa
a meio caminho da escuridão.
2 vou matar a galinha do vizinho pelo fato de estar trancafiado em meus pesadelos de sempre/
vou comer o pão que o diabo amassou pelo fato de ser assim um quase nada/
vou beber e beber até nunca mais pelo fato de que desejo inundar o mundo com a minha urina/
e acho que assim poderei escutar o nada que se insinua como o vento e a chuva nesta noite menor.
vou andar e andar até perder as pernas
andar e andar até perder o verbo perder/
andar e andar até perder a preposição até/
e vagar na insanidade de qualquer hora possuída.
3 Assassino o substantivo água/
com uma faca ou punhal imaginário/
pois minha garganta está seca/
e nem mesmo o substantivo copo solicita minha fatídica presença.
Estou areia na imensidão desértica de meu ser:
Em mim nada renasce ou brota/
Em mim tudo morre escurecido.
que faça mal a quem quer que seja/
e que cuspa e que vomite/
Em tudo que desejo,
ou que procuro no verbo procurar/
no além da palavra insana e perversa/
filha da noite e do caos/
do vento e da chuva impiedosa
a meio caminho da escuridão.
2 vou matar a galinha do vizinho pelo fato de estar trancafiado em meus pesadelos de sempre/
vou comer o pão que o diabo amassou pelo fato de ser assim um quase nada/
vou beber e beber até nunca mais pelo fato de que desejo inundar o mundo com a minha urina/
e acho que assim poderei escutar o nada que se insinua como o vento e a chuva nesta noite menor.
vou andar e andar até perder as pernas
andar e andar até perder o verbo perder/
andar e andar até perder a preposição até/
e vagar na insanidade de qualquer hora possuída.
3 Assassino o substantivo água/
com uma faca ou punhal imaginário/
pois minha garganta está seca/
e nem mesmo o substantivo copo solicita minha fatídica presença.
Estou areia na imensidão desértica de meu ser:
Em mim nada renasce ou brota/
Em mim tudo morre escurecido.
domingo, 14 de abril de 2013
POEMÁRIO DAS CAUSAS INÚTEIS
1
um poema e mais um tanto/
de qualquer coisa qualquer/
aberta ou fechada em lata/
encontrada na palavra lixo.
o lixo e o poema/
em versos no correr da noite/
há mais frio nas entranhas apodrecidas/
há mais morte em ninguém circula por aqui.
2 Minha mãe me criou/
e sabia que eu não daria para nada/
e sabia que este nada/
estaria sempre em mim como um saco de plástico vazio.
Minha mãe sabia/
que eu não teria serventia alguma/
e disse que não poderia comparecer ao meu enterro/
pelo fato de ter que fazer as unhas.
Minha mãe em meus pesadelos noturnos/
eu que arrancava aquelas unhas terríveis/
em comeu e não gostou em pretérito perfeito/
em cheiro de naftalina no substantivo armário.
RIMAS APODRECIDAS E CIRCENCES
3 pedaço de nada/
nesta rima apodrecida/
pedaço de nada na madrugada/
que não come marmelada/
nunca prestou a desgraçada/
torpe e açucarada/
vencida pelo substantivo noite.
olhos fundos e falsos/
quando subiu ao cadafalso/
e respirou tranquilamente/
antes de morrer no chão quente/
dos becos secos da rua em questão/
sem sangue nas veias/gelado o coração/
rimando com o vento em todo tormento/
correndo do tempo em alazão.
1
um poema e mais um tanto/
de qualquer coisa qualquer/
aberta ou fechada em lata/
encontrada na palavra lixo.
o lixo e o poema/
em versos no correr da noite/
há mais frio nas entranhas apodrecidas/
há mais morte em ninguém circula por aqui.
2 Minha mãe me criou/
e sabia que eu não daria para nada/
e sabia que este nada/
estaria sempre em mim como um saco de plástico vazio.
Minha mãe sabia/
que eu não teria serventia alguma/
e disse que não poderia comparecer ao meu enterro/
pelo fato de ter que fazer as unhas.
Minha mãe em meus pesadelos noturnos/
eu que arrancava aquelas unhas terríveis/
em comeu e não gostou em pretérito perfeito/
em cheiro de naftalina no substantivo armário.
RIMAS APODRECIDAS E CIRCENCES
3 pedaço de nada/
nesta rima apodrecida/
pedaço de nada na madrugada/
que não come marmelada/
nunca prestou a desgraçada/
torpe e açucarada/
vencida pelo substantivo noite.
olhos fundos e falsos/
quando subiu ao cadafalso/
e respirou tranquilamente/
antes de morrer no chão quente/
dos becos secos da rua em questão/
sem sangue nas veias/gelado o coração/
rimando com o vento em todo tormento/
correndo do tempo em alazão.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Sambas do João Ayres
Amigos,
Segue um trecho de meu samba, ESSA TAL MELANCOLIA, cantarolado por mim em minha casa.
Estou trabalhando duro no sentido de lançar meu primeiro cd.Agradeço profundamente a todos os parceiros envolvidos neste processo.
João de Abreu, Thiago-Ajary,Maria Helena Bruzzani,Léo Fernandes,Delcio Carvalho.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
1 Um canto para enfiar a cabeça/
um canto qualquer para enfiar a mente/
um canto para esquecer o rosto/
um canto qualquer para lavar a invisibilidade das horas.
Uma sala vazia e um homem estirado no chão/
vivo ou morto sem importância alguma na cena possível/
o corpo jogado na vala ou na vastidão dos cemitérios/
um canto em mais um corpo
sem tempo
sem nada.
2 Azia matinal e o café quente/
sempre à mesma hora como se tudo fosse possível/
como se a mesa fosse o que fosse/
e a cadeira insistisse em não mais sair do substantivo lugar.
Azia matinal e o café quente/
e o adjetivo quente a assolar a garganta/
e no mais o cansaço insano de quem apenas vomita/
seus restos mortais esbranquiçados pelo mal.
3 Uma serpente que se arrasta/
dentro de qualquer advérbio de lugar/
esverdeada em água rasa/
ou em dente afiado/
uma serpente que se arrasta no abandono do verbo seguir.
Uma serpente que se arrasta em lentamente/
como se o modus operandi fosse pior do que o substantivo cirurgião/
que agora abre o estômago do substantivo paciente/
que tosse o seu fim como quem fuma o último cigarro.
4 Onde e como/
pergunto em indagar/
qual em pronome interrogativo/
quem em quem fez o que fez?
Onde diz das origens/
quando o quando provém do substantivo lugar/
impessoal é o tempo quando o próprio se desconhece/
em ir e ir em ir em alguém esteve ali.
um canto qualquer para enfiar a mente/
um canto para esquecer o rosto/
um canto qualquer para lavar a invisibilidade das horas.
Uma sala vazia e um homem estirado no chão/
vivo ou morto sem importância alguma na cena possível/
o corpo jogado na vala ou na vastidão dos cemitérios/
um canto em mais um corpo
sem tempo
sem nada.
2 Azia matinal e o café quente/
sempre à mesma hora como se tudo fosse possível/
como se a mesa fosse o que fosse/
e a cadeira insistisse em não mais sair do substantivo lugar.
Azia matinal e o café quente/
e o adjetivo quente a assolar a garganta/
e no mais o cansaço insano de quem apenas vomita/
seus restos mortais esbranquiçados pelo mal.
3 Uma serpente que se arrasta/
dentro de qualquer advérbio de lugar/
esverdeada em água rasa/
ou em dente afiado/
uma serpente que se arrasta no abandono do verbo seguir.
Uma serpente que se arrasta em lentamente/
como se o modus operandi fosse pior do que o substantivo cirurgião/
que agora abre o estômago do substantivo paciente/
que tosse o seu fim como quem fuma o último cigarro.
4 Onde e como/
pergunto em indagar/
qual em pronome interrogativo/
quem em quem fez o que fez?
Onde diz das origens/
quando o quando provém do substantivo lugar/
impessoal é o tempo quando o próprio se desconhece/
em ir e ir em ir em alguém esteve ali.
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